terça-feira, 9 de novembro de 2010

Teatro: "Quem te Viu Quem te Vê, Taquari"

O teatro tem dois momentos que retratam os fatores que influenciaram na mudança dos ribeirinhos para a área urbana da cidade fazendo um paralelo entre o passado e os dias de hoje.
Tende a levar o público, a uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um e, a analisar  sobre qual é a sua parcela de culpa nos acontecimentos que levam o rio Taquari à ficar cada vez menos navegavel e, com menos recursos naturais para oferecer á população coxinence e, aos que aqui vem, a procura de lazer.

Personagens:
Joaquim, Aparecido e José - pescadores
Maria, Josefina, Joana e Fatima - Donas de casa
Paula Maria - filha de Maria

1º  MOMENTO - TAQUARI DE ANTIGAMENTE

A cena inicia com pescadores na beira do rio e, suas respectivas esposas na outra margem lavando roupa. Tambem se encotram na cena, crianças brincando nas águas do rio. Então começa a conversa entre os pescadores Joaquim e Aparecido:
  • JOAQUIM:  
 -Ôh, rio bom né cumpadi, ôia só quanto peixe!!!
  • APARECIDO:
 - Concordo com ocê, esse rio é bom memo, melhor dizê: "uma beleza!!"

(De repente no meio da prosa, chega alguns turistas querendo comprar peixes. Os pescadores vendem bastante peixes. Enquanto isso, do outro lado do rio, Maria e Josefina lavam roupas, quanto Maria Grita com sua filha)
  • MARIA :
-Paula Maria não vai na beira do rio que ta muito cheio! É perigoso uncê cai minha fia!

  • JOANA:
 - Cumadi do céu! Cê num sabe o que a cumadi Fátima falou pra cumadi Chica e depois ela me conto muié!
  • JOSEFINA:
- Então vai muié me conta logo!
  • JOANA:
- Ocê acredita muié que os cumpadi José e Joaquim pescsaram um monte de pexe e já venderam tudo!!!
(Neste mesmo momento os pescadores estão com os turistas vendendo o pescado do dia, quando chega José e fala):
  • JOSÉ:
- Ôh homi do céu, vamo pesca lá pras bandas de cima que os pexe estão subindo!

Todos saem de cena.


2º MOMENTO:  O TAQUARI NOS DIAS ATUAIS

Dois pescadores estão conversando na beira do rio. Joaquim e Aparecido

  • APARECIDO:
- Ôh cumpadi, cadê os pexe deste rio, homi!
  • JOAQUIM:
 - Então cumpadi, a água baxo, o rio ta muito sujo home!
  • APARECIDO:
-Pois é cumpadi, parece to aqui desde cedinho e nã peguei nada!
  • JOAQUIM:
- Opa! pera aí parece que peguei um agora! (na hora que ele puxa o anzol, tira do rio uma garrafa)

  • APARECIDO:
- Nossa cumpadi não é pexe não home! É sujera! (nesta hora chega José)

  • JOSÉ:
- Mas home do céu , ali pra riba tah muito raso e tambem quando uncê pensa que pegou um pexe é um enrosco!
  • APARECIDO:
- Pois é, o rio tah muito assoreado, o povo não tem mais respeito. Não sabe conservar nossa natureza! (eles continuam a conversar, enquanto se ouve a conversa de Maria e Josefina)

  •  JOSEFINA:
- Ô muié, como que lava  roupa numa sujeira dessas?
  • MARIA:
- Pois é cumadi,  o rio tah munto sujo! Demais da conta! (neste momento as crianças tomam banho no rio) E Maira continua: Oia lá cumadi Joseja, as crianças que antes não podiam nem chegar na beira do rio hoje até tomam banho e a gente nem precisa fica tão preocupada, pois tá raso que só! (Fátima entra em cena)
  • FATIMA:
- O cumpadi, chegou turista ai pra compra uns pexinhos, e os homi não tinha pegado nem um pra conta historia! Ocê acredita?
  • MARIA:
- Acredito muié, as águas tão muito sujas e muito baixas, não tem como pesca num  rio assim!
Entra uma criança - João Paulo, e fala:

- O vó cadê os peixinhos que meu pai falou pra mim que ficava pulando no rio?
Francisca, a neta de Maria que ouvia tudo, fala:
  • FRANCISCA:
- É vó, e cadê os barcos grandão que ninha mãe falou que antigamente passavam por aqui?

  • MARIA:
- É minha netinha os pexes sumiram, as águas estão acabando o rio está secando...
  • JOSEFINA:
- Vamo embora chama os homi para i pra casa, de modo que não vai pega nada hoje não! O rio tá muito sujo!

Todos saem de cena...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Taquari de Esperança


Taquari de Esperança

Onde antes era alegria
Hoje só restou a tristeza
Me lembro da simpatia
De um rio cheio de beleza.

Era um Taquari tão lindo
Fonte de muita riqueza
Onde restou um rio sofrido
Excluído da natureza.

O que antes me orgulhava
De dizer suas gandezas
Hoje falta palavras
E mais dúvidas do que certezas.

Ás vezes vivo me perguntando
Acreditando com muita clareza
Daqueles tempos me recordando
Será que voltam as suas purezas?

Mais ainda carrego comigo
As suas belas lembranças
Daquele rio tão querido
Que me enche de esperança.

Hoje de tristeza eu choro
Vendo o que lhe restou de herança
pois à Deus até imploro
Devolva o Taquari da minha infância.

Aquele choro sentido
Como um choro de uma criança
Recordando do tempo vivido,
Mas que só vive na minha lembrança.

Um Taquari de fartura
De águas bravas, às vezes manças
Antes clara, hoje escura,
Mas águas cheias de esperanças.
Rafael Jesus Ferreira
Projeto Rio Taquari – 1º ano “A”